Eu e você naquele maio
Estranhamente lembro de você, anjinho louro. Lembro do seu imenso olhar azul dentro do meu, aliás, insistentemente procurando o meu - mesmo sabendo que eu tentaria desviar o olhar todas as vezes possíveis.
Eu e você naquele maio. A suas mãos apertando as minhas. O seu sorrindo encantando a minha visão. O seu hálito quase se misturando ao meu...
Estranhamente lembro de você, anjinho louro. Lembro da sua vontade de falar comigo. Falar, falar, falar...
Quem ousaria esquecer o seu sorriso, anjinho louro? Quem? Não eu.
Eu e você naquele maio. Sob o olhar crítico, severo, malicioso e sei lá mais o quê das outras pessoas... Isso de alguma forma assustou você.
Entretanto, já tarde para mim. Eu já queria tudo de você. Eu já nem resistia. Pra ser sincera, eu já nem pensava mais. Eu não era mais senhora de mim. Nem dona dos meus atos, nem sabedora dos fatos. Eu só queria você.
Mas você fugiu ao ver o primeiro olhar de repreensão.
Senhor da razão, fugiu da suposta cilada da vida.
Eu, senhora da emoção, só queria o contato com a sua pele. O sabor do beijo. O afago que morava nos seus abraços.
Eu e você naquele maio
O menino em você falou mais alto, não foi isso grande anjo louro?
A mulher em mim, calou-se!
Não para sempre que sempre é um tempo grande demais...
Estranhamente lembro de você, anjinho louro
Eu e você naquele maio.
Escrito por Nina às 19h10
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